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Fique por dentro
Nº 100, 1 de julho de 2013.
6
N
a centésima edição do nosso informativo,
homenageamos um dos empregados mais
velhos em idade, o senhor Sebastião Cassiano
Pereira, conhecido carinhosamente como Tião.
Aos 66 anos, ele ainda nem pensa em pendurar
as chuteiras. Diariamente está no campo, fazendo
todo tipo de trabalho manual do setor de campos
experimentais.
Seu Sebastião trabalha há
tantos anos, desde criança,
que se incomoda só de
pensar em ficar parado. A
lida na roça começou muito
cedo, no sítio dos pais, na
pequena Fidelândia, onde
nasceu. A localidade é um
distrito do município de
Ataleia, perto de Teófilo
Otoni, no nordeste de
Minas Gerais. Um lugar
onde sobreviver no campo,
na juventude de Sebastião,
era muito difícil. "Foi
sofrido, quase passamos
fome. Comprar um litro
de óleo pra cozinhar era
uma luta", lembra. E o
pai de Sebastião não dava
moleza. Quando o menino
tinha apenas dez anos, já
o desafiava a montar em
burro bravo.
O mineiro viveu em
Fidelândia até os 32
anos. Neste período, no
sítio da família, plantou e
colheu café, criou gado.
Para complementar a
renda, fazia serviços para
os vizinhos, como levar
os bois para o matadouro, e caçar bois, cavalos e
burros que fugiam das fazendas. Seu Sebastião era
conhecido pela agilidade. Perseguia e conseguia
laçar todos os animais "fujões".
Cansado da vida dura, casado e já com quatro filhos
pequenos, ele estava decidido a tentar a sorte no
Paraná. Mas um convite para trabalhar em uma
fazenda em Água Vermelha, distrito de São Carlos,
mudou seus planos.
Após dois anos no posto, veio conhecer a Unidade
num domingo, através de amigos que trabalhavam
aqui. Na segunda-feira, já havia mudado de emprego
e se tornado embrapiano. "Disseram que eu era
doido, que o pessoal do 'Canchim' era muito
exigente, mas eu não tive medo, nunca fugi de
trabalho", recorda.
Era março do ano de
1981. Seu Sebastião
se lembra do primeiro
serviço que fez: cortou
milho no facão para
encher o silo vertical,
hoje desativado, ao lado
do laboratório de solos.
Logo ensinou aos
paulistas o "jeito certo"
de laçar os bois, em cima
do cavalo. Aprendeu
a ordenha mecânica,
serviço que fez por
21 anos. Cansado do
trabalho com animais,
há dez anos mudou
para o setor de campos
experimentais. Nos
últimos anos, montou
cerca, plantou, roçou, fez
de tudo um pouco.
Mas sua paixão sempre
foi andar pelo pasto
montado no cavalo. "Pra
mim é uma felicidade,
pena que as minhas
costas não aguentam
mais. Mas estou ansioso
pra montar no cavalo
que meus netinhos
compraram lá em Minas,
vou ficar feito criança".
No ano passado, Seu Sebastião se aposentou por
idade pelo INSS, mas não sabe quando irá parar
de trabalhar. "Não consigo ficar parado, sempre fui
muito ativo", afirma. Morador da cidade há dez anos,
desde que saiu da colônia, ele argumenta que na
nova casa não tem um terreno para plantar. Por isso,
ele prefere continuar "se mexendo" aqui na fazenda.
Foto: larissa Morais
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S
ebastião
,
o mineiro
incansável