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Nº 102, 15 de julho de 2013.
5
Nossos Talentos
P
aulistana criada em apartamento, a pesquisadora
Cintia Righetti Marcondes já mostrava na infância
as características que a levariam a trabalhar com
animais em lugares distantes como o Tocantins e o
Pará. Ainda criança, ela abrigava bichos em casa, para
"desespero" da mãe.
Na adolescência, Cintia já tinha definido que trabalharia
com animais, mas não queria lidar com doenças. Pensou
então em ser bióloga, até conhecer a zootecnia em uma
feira de profissões na época do cursinho. Nas primeiras
semanas da graduação na USP de Pirassununga, durante
uma atividade de calouros, respondeu que havia
escolhido o curso para atuar na Embrapa.
Determinada, a pesquisadora direcionou seus estudos
neste sentido. Foi bolsista de iniciação científica desde
o início da faculdade, onde trabalhou com suínos, fez
estágios de extensão e em fazendas. Sempre na área de
melhoramento animal, na qual Cintia viu a possibilidade
de combinar a análise de dados e o trabalho de coleta
no campo. "Sou muito observadora e detalhista, isso é
muito útil nesta parte de estatística", afirma.
O primeiro concurso para entrar na Embrapa foi prestado
em 2000, para a região Centro-Oeste. Nesta época,
Cintia já havia concluído o mestrado na UFMG, e estava
começando o doutorado na USP de Ribeirão Preto. Em
2004, finalizado o curso, trabalhou em um projeto no
Tocantins e deu aulas na Universidade Federal do Tocantins
(UFT) por dois anos, com bolsa do CNPq.
Em 2006, foi convocada pela Embrapa para atuar
na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém. Durante
quatro anos, Cintia atuou nas áreas de melhoramento
e conservação de animais considerados exóticos para
quem vive no Sudeste: búfalos, uma tartaruga chamada
muçuã, típica da ilha de Marajó, e o caititu ou cateto,
um mamífero utilizado na alimentação dos paraenses.
"O trabalho em Belém foi muito desafiador porque
existe pouca tradição na área de melhoramento.
Os resultados vinham muito rápido, porque havia
praticamente tudo a ser feito", lembra Cintia. Outra
contribuição foi a formação de recursos humanos na
região, com a orientação de vários estudantes que hoje
estão no doutorado em melhoramento.
Sozinha na cidade, com um filho pequeno, a
pesquisadora sentiu a necessidade de voltar a viver
perto da família. Prestou novamente o concurso da
Embrapa, para a região Sudeste. Aprovada, conseguiu a
transferência para a Unidade, aonde chegou no final de
2010.
Desde São Carlos, Cintia continuou na liderança de
um projeto MP2 com búfalos até o ano passado. Este
ano, iniciou em março outro MP2, desta vez para
melhoramento do Canchim. A pesquisadora também
integra o projeto de cruzamento de ovinos, financiado
pela Fapesp.
Bovinos, ovinos, suínos, búfalos, caititus, tartarugas.
O trabalho com tantas espécies de animais não é um
problema, segundo Cintia. Para o melhoramento, as
diferenças são basicamente quanto aos objetivos de
seleção, ou seja, aonde se quer chegar com determinada
espécie. A análise de dados muda pouco.
E quanto ao futuro? De acordo com a pesquisadora,
os estudos para melhoramento em características não
convencionais do Canchim estão ainda no início. Por
isso, as pesquisas devem durar muitos anos. "Pretendo
continuar nesta área, mas sempre buscando integrar
outros campos de conhecimento, como tenho feito
agora, com gases de efeito estufa, resistência a parasitas,
temperamento... Tudo isso influencia e enriquece o
trabalho".
D
e
bovinos
a
tartarugas
,
melhoramento
é
paixão
de
pesquisadora
Cintia e o pequeno caititu
Especial dia do pesquisador - 8 de julho