N° 100, 24 de junho de 2013
Fique por Dentro
Fique por Dentro
Pecuária Sudeste
N° 137, 7 de abril de 2014
R
EUSO
DA
ÁGUA
NO
CURTIMENTO
DE
COURO
REDUZ
CUSTOS
E
IMPACTO
AMBIENTAL
O
Brasil ocupa lugar de destaque na produção mundial de couros. A demanda pelo produto brasileiro
aumentou nos últimos anos. As exportações cresceram de 700 milhões de dólares em 2000 para mais de
dois bilhões e quinhentos milhões de dólares em 2013.
No entanto, essa atividade ainda é apontada como poluidora.
O processo de curtimento utiliza grande volume de água e
emprega produtos agressivos ao meio ambiente.
Preocupados com a preservação e a sustentabilidade,
pesquisadores estão desenvolvendo tecnologias alternativas
de curtimento. A Embrapa Pecuária Sudeste tem focado suas
pesquisas no uso de taninos vegetais e curtentes sintéticos.
Além disso, o reuso da água tem sido uma opção promissora
para reduzir o gasto com esse recurso natural, mantendo a
qualidade do produto final.
A água está presente na maioria das etapas de processamento
do couro. Ela é usada como veículo para a difusão dos produtos
químicos e para as lavagens das peles. A água entra limpa e sai
com resíduos orgânicos e químicos.
Dessa forma, geram uma grande quantidade de efluentes
líquidos que devem ser tratados, pois têm altas concentrações
de contaminantes e podem degradar o meio ambiente.
No laboratório da Embrapa, um circuito fechado separa os
efluentes dos processos de curtimento, elimina os resíduos
poluentes, e retorna a água para novo curtimento.
O pesquisador Manuel Jacinto, responsável pelos estudos,
também tem feito experimentos com água de estação de
tratamento de esgoto (ETE), em vez da água industrial ou do
aquífero (retirada do subsolo) utilizadas pelos curtumes. Os
resultados têm indicado redução em torno de 30% no consumo
de água.
Essas alternativas colaboram para minimizar tanto o impacto
econômico quanto o ambiental.
De acordo com Jacinto, os couros obtidos com reuso da
água não trazem prejuízo à qualidade do produto, desde
que o processo seja controlado por meio de análises e as
características desejáveis da água sejam mantidas.
As pesquisas em andamento na Embrapa Pecuária Sudeste
buscam soluções mais eficientes e ambientalmente corretas para a indústria do couro. Apesar do custo econômico
ainda ser maior que os processos tradicionais, as vantagens em relação à saúde, à redução do uso de água e energia,
à racionalização dos insumos químicos e, consequente, redução dos impactos ambientais são muitas.