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Pecuária Sudeste
Fique por dentro
Ano III, n.º 29, 25 de novembro de 2011.
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ossos
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alentos
P
olêmico e apaixonado pelo que faz. Há 35 anos, o piracicabano Rymer Ramiz Tullio dedica-se à
Embrapa. A história começou em 1976 quando, recém-formado em agronomia pela Esalq-USP, o
jovem mestrando foi contratado pela empresa. Seu tema de estudo foi nutrição de suínos, por isso, pensou
em ir para a Embrapa Suínos e Aves, em Concórdia (SC).
Porém, acabou sendo chamado para trabalhar no Pantanal. Casado e com um bebê para criar, Rymer
aceitou o convite. A chegada a Corumbá (MS) foi difícil. “Naquela época a região era ainda mais deserta,
passávamos por estrada de terra, a cidade tinha pouca infraestrutura”, conta. Mas a impressão ruim foi
desfeita assim que Rymer viu as paisagens do Pantanal, muito diferentes das de Piracicaba.
Encantado, o pesquisador dedicou-se a construir a unidade recém-criada. “Como não havia nada, tudo
o que fazíamos era muito interessante para a região. Mas até por isso precisávamos nos virar, ser peão,
motorista, tudo ao mesmo tempo”, lembra.
A novidade daquele mundo exótico rendeu boas histórias. “Por exemplo, um jacaré levou o então
pesquisador da Pecuária Sudeste Antonio Pereira Novaes até o Pantanal”. Era preciso fazer coletas no
estômago do réptil, e Novaes foi convidado para ensinar técnicas de imobilização dos animais. A dose
que ele estava acostumado a aplicar em bovinos e equinos aqui foi tão forte que o jacaré dormiu por três
dias. “Como é um réptil, precisava de água para não morrer. Não podíamos deixá-lo no rio porque iria
se afogar, então ficamos nos revezando em frente à sede da fazenda, molhando o bicho até ele acordar”,
lembra Rymer.
Após oito anos de aventuras, o pesquisador foi transferido para São Carlos. No início, trabalhou com
animais da raça Canchim, depois com confinamento e nelore. As pesquisas com carne viriam no início da
década de 90. Desde então, Rymer ajudou a batalhar por um laboratório de análises de carne, inaugurado
em 2007.
Em 24 anos na Unidade, o pesquisador travou várias discussões acaloradas, que para ele valeram a pena.
“Contribuí para que nosso centro seja hoje um dos melhores para se trabalhar, porque não temos feudos
como quando cheguei. Todos colaboram e transitam
entre várias áreas”, diz. Para Rymer, a principal
vantagem da Pecuária Sudeste é a qualificação de
seus pesquisadores.
Já a paixão pela agropecuária começou cedo. Durante
a infância, Rymer viveu dentro da Esalq – boa parte
da família trabalhava na escola da USP. “Para mim
tudo o que eles faziam era muito natural, não
poderia ter pensado em seguir outra carreira”, conta.
Hoje, 35 anos depois, Rymer ainda não pensa em
se aposentar. Após ter concluído o doutorado em
2004, agora ele quer fazer o pós-doc no Canadá,
onde vivem dois de seus três filhos. “Quero trazer as
experiências interessantes que eles fazem com análise
de carne lá”, diz. Além disso, ele também considera
importante passar o conhecimento do dia a dia para
os novos pesquisadores da Unidade. “Ainda tenho
bastante fôlego porque acredito no que faço, sei que
é importante para o país”, afirma.
Do Pantanal para São Carlos, 35 anos de dedicação à Embrapa
Foto: Larissa Morais.