Page 4 - Boletim

This is a SEO version of Boletim. Click here to view full version

« Previous Page Table of Contents Next Page »
Pecuária Sudeste
4
Fique por dentro
Ano III, n.º 32, 16 de dezembro de 2011.
J
oão Bosco Francisco soube que viria trabalhar na Embrapa Pecuária Sudeste na véspera da viagem. Antes, nunca
tinha ouvido falar na Embrapa, nem sabia onde ficava São Carlos. A mudança repentina de Viçosa (MG) para cá ocorreu
em 1986.
Na época, seu primo José Severino Cândido havia sido convidado para trabalhar na Unidade, e havia combinado de
viajar com outro primo num domingo. Porém, no sábado, o outro desistiu. Procurado de última hora, João Bosco
pensou algumas horas e vendeu a bicicleta. No dia seguinte, já estava com a mala pronta.
Vinte e cinco anos depois, o empregado diz que foi a melhor escolha que poderia ter feito. “Ter mais parentes
trabalhando aqui foi bom para eu me adaptar, não tive dificuldades”, conta. Para ele é gratificante trabalhar na
Embrapa porque os colegas são gentis, independente do cargo. Além disso, João diz que fez muitos amigos e gosta da
calmaria da fazenda.
O empregado começou na Unidade como servente. Poucos meses depois, foi para o setor de equinos, onde ficou por
dez anos. Desde então, há 15 anos, trabalha na fábrica de rações. Ele conta que às vezes também faz o trabalho de
campo, em épocas de menor necessidade de ração para os animais. A produção aumenta no período de seca, de maio
em diante.
Segundo João, o setor que mais consome ração, com regularidade, é o sistema de leite. São mais de mil quilos por dia.
Outra área que consome bastante é a de confinamento, em algumas épocas do ano. João conta que nos dias de mais
trabalho chega a produzir oito mil quilos de ração.
Os ingredientes mais usados nas rações são milho moído, farelo de soja e de trigo, ureia, sal mineral e calcário. As
fórmulas variam de acordo com o tipo do
animal e o objetivo do experimento. “Às vezes
tenho até sete fórmulas diferentes para fazer
no mesmo dia, preciso tomar cuidado para
não confundir ou errar. Não adianta fazer
com pressa, sem atenção.” No final do dia,
João faz um relatório de tudo o que usou, com
as quantidades.
Ele conta que está tão experiente no assunto
que até já ajudou a família. Assim que
formulou uma ração para os cavalos do pai
em Viçosa, os vizinhos foram perguntar qual
era o segredo para que os animais ficassem tão
bonitos. “Aqui na Embrapa aprendo muito,
fico orgulhoso de poder ensinar para alguém”,
diz.
O trabalho solitário não o incomoda. A
fábrica fica isolada do restante das instalações
da fazenda, e outros empregados só passam
por lá para pegar a ração e vão embora.
“Sempre gostei de não depender de ninguém,
de trabalhar independente. Aqui controlo tudo
e me planejo do meu jeito”, afirma.
João morou 18 anos na colônia, e há sete vive
na cidade com a esposa, desde que se casou.
Em casa, após passar o dia em meio ao barulho
das máquinas da fábrica, ele ainda procura mais
barulho. Toca cavaquinho, escuta rádio, vê TV,
sai na rua para conversar. “Barulho não me
atrapalha nem para dormir, estou acostumado”,
diz. tem se desdobrado para dar conta das
tarefas mais urgentes.
N
ossos
T
alentos
Foto: Larissa Morais.
Empregado prepara ração para todos os animais da fazenda