Pecuária Sudeste
O
novo contexto da pesquisa agrícola
foi o tema da palestra proferida
pelo Dr. Silvio Crestana, pesquisador
da Embrapa Instrumentação e diretor-
presidente da Embrapa de 2005 a 2009.
O colega esteve na Unidade no dia 6,
pela manhã. A apresentação fez parte da
série de palestras com convidados para
subsidiar a revisão do Plano Diretor da
Unidade (PDU).
Silvio começou a fala lembrando que
neste mês ele completa 28 anos de
trabalho na Embrapa. Poucos sabem
que o pesquisador iniciou sua carreira
profissional aqui na Unidade, em 1984.
Logo depois, ajudou a criar a Embrapa
Instrumentação.
Membro do Conselho Superior do
Agronegócio da Fiesp, Silvio utilizou sua
larga experiência, tanto no setor público
como nos contatos com empresas
privadas, para mostrar um panorama do
agronegócio hoje. O pesquisador afirmou
que não devemos ser apenas espectadores
do futuro, mas também ajudar a organizá-lo.
Como primeira característica da atualidade,
ele citou a verticalização da produção,
que tem exercido forte impacto sobre
a cadeia de produção animal e vegetal.
O “pacote tecnológico” oferecido pelas
multinacionais aos agricultores reduziu a
participação da Embrapa no mercado das
grandes commodities (soja, milho e outras)
a praticamente zero. “Não estamos mais
sozinhos na pesquisa, grandes empresas
estrangeiras dominam e vendem ‘sonhos’,
o pacote completo, ao produtor”, afirmou
Silvio.
Sobre a crise econômica que atinge vários
países, o pesquisador citou casos de
nações que responderam aos problemas
com mais investimento em pesquisa. “A
ciência é um antídoto para a crise”, disse.
A respeito da Embrapa, o palestrante
mostrou a linha do tempo da empresa,
para concluir que ela começou ágil e
flexível em 1973, mas hoje encontra-se
engessada, devido às sucessivas normas e
legislações.
Diante do novo cenário mundial de crises
e imprevisibilidade, a Embrapa precisa
repensar seus papéis, segundo Silvio. O
modelo estaria esgotado? Deveríamos
competir com o setor privado, trabalhar
em complementaridade ou buscar nichos
próprios? As agendas da empresa também
precisam ser repensadas, sem deixar
nenhuma em segundo plano: estratégica,
comercial, social, internacional e
regional.
Neste novo mundo, surgem temas
de pesquisa promissores: aquicultura
(maior agronegócio do mundo, com
US$ 600 bilhões), economia verde,
sistemas de produção intensivos e
sustentável, agricultura e zootecnia de
precisão, geotecnologias, competição
entre alimentos, fibras e energia, entre
vários outros citados na palestra.
Silvio também mostrou modelos de
inovação e parceria interessantes em
órgãos de outros países, e falou da
importância da cooperação nacional
e internacional para formar recursos
humanos e líderes.
Em três horas de conversa, o
pesquisador deixou muitas ideias para
este rico processo de revisão do PDU. “A
palestra foi importante porque trouxe a
contribuição de alguém que foi diretor-
presidente da empresa
recentemente,
além de conhecer bastante nossa
Unidade. Trouxe pontos de reflexão
relevantes e uma visão ampla da
agricultura e da ciência, muito além
da pecuária e da pesquisa agrícola”,
afirmou a chefe-adjunta de Pesquisa
& Desenvolvimento, Ana Rita Araújo,
coordenadora da comissão de revisão
do PDU.
Ano IV, N° 51, 15 de junho de 2012
Agenda da Semana
Embrapa Pecuária Sudeste
Pesquisador mostra desafios e novas realidades da agricultura