Pecuária Sudeste
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Ano IV, n.º 52, 22 de junho de 2012.
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ossos
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alentos
Aventuras na aposentadoria: na Cordilheira dos Andes de carro
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Nossos Talentos desta semana traz uma história diferente. Para provar que a merecida aposentadoria não significa
pijamas e chinelos em casa, trazemos a história do colega Jorge Reti, aposentado há um ano. Conheça a aventura de
viajar 8.700 km de carro para molhar os pés no Oceano Pacífico.
“Fantástica, imponente, não dá para dizer o que é e o que se sente, de tão emocionante!”. Esta é uma das descrições de Jorge
para a Cordilheira dos Andes, entre Mendoza (Argentina) e Santiago (Chile). A travessia dessa mítica cadeia de montanhas
foi feita de automóvel, percorrendo trechos íngremes e perigosos, a quase 4 mil metros de altitude, pelo jornalista Jorge Reti
e sua namorada Elenice.
Essa foi a primeira aventura da aposentadoria, há muito sonhada. De São Carlos até Vinã del Mar, no Oceano Pacífico
(Chile), foram, somando ida e volta, 8.700 km, dos quais 7.900 km na estrada e o restante em passeios, inclusive para
conhecer soluções urbanísticas sustentáveis em regiões desérticas argentinas.
Na época (maio) a neve se limitava aos pontos mais altos. As montanhas não nevadas também são indescritíveis, de acordo
com Jorge: vegetação rala, pouco verde e muita pedra. “A paisagem é linda, com cores variando conforme a hora e o sol
(ou sem sol). Impressionantes são as “morainas”, rios de areia seca esculpidos nas rochas, resultado da erosão causada pelo
degelo. No Parque Provincial Aconcágua (Argentina) houve uma leve nevasca, a uma temperatura relativamente alta para
o local (4º positivos). Os ventos atingiam 120 km por hora e era difícil pilotar o carro”. “Aconcágua quer dizer “Sentinela
de Pedra” e é o ponto mais alto das Américas, a 6.964 metros acima do nível do mar. No lado argentino a estrada é
relativamente tranqüila, mas na parte chilena enfrenta-se os famosos “caracoles” (caracóis), estrada em zigue-zagues pelas
montanhas, beirando altos precipícios, com curvas fechadíssimas, não dá para andar a mais de 40 km/hora”, relata Jorge.
Outra paisagem que chamou a atenção é o Pampa, por onde eles viajaram durante três dias seguidos (Rio Grande do Sul,
Uruguai e Argentina), passando pelo “Banhado do Taim” (Rio Grande), uma área conhecida como “Pantanal não tropical”
ou “Pantanal de clima temperado”.
A próxima viagem? Há planos para chegar a Ushuaia (Argentina) e Puerto Toro (Chile), a cidade e o vilarejo mais ao Sul
do mundo, perto da Antártica. De carro, é claro! Eles pensam também em nova travessia dos Andes, mas Jorge quer seguir
pela estrada velha de terra (só aberta no verão). Poucos se aventuravam nessa rota, que era mais usada por comitivas de
mulas. O pai de Jorge, Francesco Reti, foi um desses corajosos: enfrentou os precipícios na década de 1940, num automóvel
modelo 1939.
Entre as muitas coisas boas apontadas por Jorge no Uruguai, Argentina e Chile: lá usam poucas palavras e nomes em inglês,
muitíssimo menos do que os brasileiros fazem. É um dos motivos que levam Jorge a acreditar no futuro desses três países.
Finalmente, Reti acha difícil imaginar como passaram pelos Andes, em 1810-1812, o Libertador General San Martín (da
Argentina) e o Libertador General Bernardo O’Higgins (do Chile), apenas com cavalos e mulas, em seus deslocamentos para
combater os dominadores espanhóis. “Libertador” é como são chamados, nos países de língua castelhana da América do
Sul, os líderes das lutas pela independência dessas nações.
Colaboração: Jorge Ret