Pecuária Sudeste
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N.º 54, 6 de julho de 2012.
Estudoavaliaresistênciados parasitas deovinos emSP
E
ntre 2008 e 2010, foi feito um levantamento sobre a resistência dos parasitas de ovinos aos vermífugos em
São Paulo, realizado por pesquisadores da Embrapa, do Instituto de Zootecnia, da APTA (Agência Paulista de
Tecnologia dos Agronegócios) e da Universidade Federal do Paraná. Foram avaliadas 33 propriedades em todas as
16 regiões do estado.
Os ovos dos parasitas nas fezes foram contados, em seguida os animais foram vermifugados, para novamente ser
feita a contagem dos ovos. Esperava-se que houvesse uma redução no número de ovos dos parasitas de 90%, mas
o estudo constatou que em nenhum rebanho todos os vermífugos funcionaram ao mesmo tempo.
A resistência parasitária surge quando ocorrem falhas no uso dos vermífugos ou anti-helmínticos, principalmente
porque a necessidade desses medicamentos é cada vez maior para o controle da verminose.
O levantamento também verificou que a prática de tratar todo o rebanho em intervalos curtos ainda é comum.
Porém, essa prática não é recomendada, pois gera sobredose, perda de dinheiro e seleção de parasitas resistentes.
“Usar um medicamento muitas vezes ao ano não garante um controle sanitário ideal”, afirma a pesquisadora da
Embrapa Pecuária Sudeste Simone Méo Niciura.
Os produtores também preencheram um questionário sobre manejo, com o objetivo de descobrir por que a
resistência tem aumentado. As respostas indicaram alguns procedimentos errados.
O estudo concluiu que não pesar os animais e tratá-los com quantidade reduzida ou excessiva de vermífugos são as
principais causas da resistência. Segundo Simone, doses acima do recomendado levam à seleção rápida de parasitas
resistentes e aumentam a resistência. Doses menores também não fazem o controle ideal e selecionam parasitas
resistentes com o passar do tempo. Também não é recomendado trocar o anti-helmíntico após cada aplicação,
pois essa prática aumenta a resistência a médio prazo. O vermífugo só deve ser trocado quando ele deixar de ser
eficiente no controle da verminose.
Para a pesquisadora da Embrapa, o tratamento ideal deve ser feito após a pesagem do animal em balança, para
que não sejam aplicadas doses em quantidades erradas. E o anti-helmíntico só deve ser trocado quando ficar
comprovado que ele perdeu o efeito, o que o produtor pode verificar pelo teste de redução da contagem de ovos
nas fezes (TRCOF), que deve ser feito pelo menos uma vez por ano. Esse é um teste pouco oneroso, feito com
exames de fezes dos animais antes e depois de terem recebido o vermífugo.
Fazer a escrituração zootécnica do rebanho é outra medida simples de manejo para reduzir a resistência.
Determinar quais animais foram tratados e o
número de doses, anotar data de nascimento,
peso e estado reprodutivo, são medidas que
permitem fazer o tratamento seletivo. Segundo
o estudo, a escrituração é feita em apenas 60%
dos rebanhos em São Paulo.
O tratamento seletivo é feito principalmente
pelo método FAMACHA
®
, retirando, por
descarte, animais que necessitarem ser tratados
mais de 4 vezes no período de 6 meses.
Também é importante utilizar raças mais
tolerantes à verminose e oferecer alimentação
adequada de acordo com a categoria do animal.
PD&I
Foto: Arquivo Embrapa Pecuária Sudeste