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Pecuária Sudeste
Fique por dentro
Nº 57, 27 de julho de 2012.
5
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nquanto nos dias atuais muitos jovens contam os dias para a tão sonhada aposentadoria, o senhor Manoel Sylvestre
Ione trabalhou por 30 anos na fazenda que hoje abriga a Embrapa Pecuária Sudeste. Ele chegou em 1950, e até hoje
vive na colônia com a mulher e os filhos que atualmente trabalham na Unidade: Ademir, Aparecida e Natal.
Descendente de italianos, Manoel completou 90 anos no último dia 20. Ele nasceu em Araraquara e foi criado em
uma colônia às margens do rio Chibarro. Com muita lucidez, o colega aposentado lembra-se da época em que chegou
à fazenda Canchim. “Eu tinha 27 anos e muita vontade de trabalhar. Naquela época não havia concurso e a Embrapa
nem existia, aqui era apenas uma fazenda do Ministério da Agricultura para experimentos em criação de gado”.
Ele sabe de cor o tempo em que trabalhou na fazenda: “30 anos, 9 meses e 15 dias”. Manoel se orgulha muito do que
fez, tanto que nunca faltou ao trabalho. Mas, antes da merecida aposentadoria, seu Manoel desempenhou diversas
funções na fazenda. Cortou cana, carpiu roça, juntou gado, tratou dos animais e foi até guarda noturno. “Preferia
trabalhar de madrugada, porque sempre gostei da noite”, conta.
Uma vida, muitas histórias
Pai de nove filhos, Manoel se casou em 1950, com dona Maria, hoje com 88 anos. Logo depois já vieram para a
fazenda, de onde nunca saíram. “Parece que foi ontem, mas já vamos fazer 62 anos de casados”, relata. Manoel
conheceu a esposa na antiga usina Tamoio, em Araraquara, onde trabalhou
por 15 anos, após a morte dos pais.
Enquanto ainda vivia em Araraquara, ao completar 21 anos de idade,
Manoel foi obrigado a se alistar no serviço militar em Santos. Ele relata que
teve muita sorte e por pouco não participou da Segunda Guerra Mundial. “A
guerra terminou em maio de 1945, e eu ia viajar em junho. Faltava um mês,
tive sorte, mas eu não tinha medo da guerra, já havia perdido meus pais, não
tinha família, não tinha muito no que pensar”.
Como o senhor ficou sabendo da fazenda Canchim e por que resolveu
mudar para São Carlos?
Manoel
- Corriam boatos em Araraquara de que a fazenda Canchim estava
contratando e que a usina Tamoio iria acabar. Então resolvi tentar a sorte.
Como o senhor foi recebido na fazenda e quem era o administrador naquela época?
Quando cheguei o chefe era o Dr. Antonio Teixeira Vianna. Ele morava perto do prédio onde hoje é a chefia. A
colônia era lotada. Moravam quase 60 famílias e todos o chamavam por Vianna. As pessoas falavam muito dele,
diziam que ele era um homem bravo, de personalidade forte. Mas nunca tive nenhum problema com ele. Dr. Vianna
era um homem justo e inteligente. Recordo-me de suas palavras “a turma da Tamoio é trabalhadora, vou contratá-lo”.
Conte alguns mitos da fazenda.
O pessoal antigo da colônia dizia que a fazenda Canchim havia sido uma fazenda de escravos. Marcolino Barreto era o
nome do suposto dono da fazenda. Eu não posso afirmar
se realmente era mas, quando cheguei, ainda existiam
alguns poucos pés de café que devem ter sido plantados
na época dos escravos, mas foram todos queimados
por conta da criação de gado. (Nota do NCO: de fato,
era uma fazenda de café de propriedade do Marcolino
Marquez Barreto, que perdeu as terras para o governo com
a crise de 1929.)
Para finalizar, o senhor se recorda do nome de todos
os filhos?
No total foram 11, mas um partiu com três meses e
outro nasceu morto. Restaram nove: Aparecida, Maria do
Carmo, Ademir, José Roberto, Natal, Antônio, João, Rita
de Cássia e Mércia, estas últimas gêmeas.
Seu Manoel mostra um dos recortes que
guarda sobre o Dr. Vianna
Na sala da casa onde vive há mais de 60 anos