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Pecuária Sudeste
N° 83, 1º de março de 2013
Agenda da Semana
Embrapa Pecuária Sudeste
Rede Pecus começa a reunir primeiros resultados
I
niciada há quase dois anos, a rede de pesquisa Pecus começa a reunir para publicação os primeiros resultados dos experimentos. O principal
objetivo da rede é estimar a participação dos sistemas de produção agropecuários na dinâmica de gases de efeito estufa, visando subsidiar
políticas públicas e alternativas de redução. Para saber se os sistemas de produção possuem potencial de mitigação, eles serão comparados com
a vegetação nativa (floresta, caatinga, pampas) de cada região em que estão inseridos.
Com centenas de pesquisadores e diversos parceiros no Brasil e no exterior, os pesquisadores da rede e suas equipes têm feito experimentos nos
seis biomas brasileiros. Líder da rede, a Unidade vem realizando a pesquisa em áreas de Mata Atlântica. Após cinco anos do início do primeiro
projeto, a equipe comemora a consolidação dos primeiros resultados.
A emissão de gases de efeito estufa pela pecuária é um processo conhecido. Mas é necessário avaliar os diferentes sistemas de produção. O
metano é um importante gás de efeito estufa, produzido naturalmente pelos herbívoros ruminantes. Grande parte dele é liberada pela boca e
narinas. Para medir sua emissão pelo gado, os pesquisadores da rede Pecus utilizam uma canga, acoplada a um cabresto na cabeça do animal
por um período de 24 horas. Parte do gás emitido pela boca e narinas fica retida numa espécie de tubo que, vedado, é levado para análise em
um aparelho chamado cromatógrafo.
As pastagens também emitem gases de efeito estufa. Por isso, na Pecus estão sendo avaliadas as dinâmicas de gás carbônico, óxido nitroso e
metano. Esses gases são medidos por meio de uma câmara estática colocada nas áreas de pastagens e de mata durante uma hora.
No entanto, não basta calcular a emissão de GEEs. É preciso também medir a remoção de
gases por meio do sequestro e acúmulo de carbono nos sistemas de produção. Isso ocorre
principalmente como consequência da fotossíntese. Nesse processo são formados carboidratos,
que contêm o elemento carbono. Este passa a fazer parte da estrutura das plantas.
Quando elas morrem e se transformam em matéria orgânica, o carbono presente nelas é
incorporado ao solo, no processo chamado de sequestro de carbono. "De gás poluente, o CO²
se transforma em carbono estocado na matéria orgânica do solo ou na madeira ", explica a
pesquisadora da Unidade Patrícia Anchão Oliveira.
Após avaliar por pelo menos dois anos os resultados de emissão e remoção de gases, será feito
o balanço de carbono de cada sistema de produção e das áreas de vegetação natural. Assim, será
possível saber se o sistema é mitigador, ou seja, se é capaz de reduzir os GEEs na atmosfera
em relação à vegetação natural. Mas este ainda não é o fim da pesquisa, segundo Patrícia.
"Precisamos saber se os sistemas de produção atendem aos requisitos de sustentabilidade
por meio de avaliações em outras áreas de pesquisa”. Para que um sistema seja sustentável e
recomendado, é necessário atender ao tripé social, ambiental e econômico.
Animal com a canga que mede o metano emitido