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Pecuária Sudeste
A
lguns experimentos de campo da Unidade têm sido
ameaçados pela alta população de um animal simpático,
mas destruidor de lavouras. As capivaras tornaram-se uma
dor de cabeça, e já se pensa em soluções de manejo para que o
estrago não aumente.
Nas áreas próximas ao pivô central, os problemas vêm ocorrendo
há algum tempo. Os bandos de capivaras começaram comendo o
milho e a cana de experimentos da rede Pecus. A área foi cercada
com 3 mil m² de tela. Então, elas atacaram o guandu e, agora, o
milho de experimentos em iLPF.
O supervisor de campos experimentais, Cesar Cordeiro, estima
que haja cerca de 400 capivaras na Unidade, espalhadas em vários
bandos. Durante o dia, elas ficam nas lagoas. À noite, saem para
comer. O colega lembra que a capivara é hospedeira do carrapato-
estrela, que transmite a febre maculosa. Ainda que esta doença
não exista na fazenda, o risco é grande, principalmente porque
não é possível dar os banhos de carrapaticida nesses animais.
Solução definitiva
De acordo a pesquisadora Maria Luiza Nicodemo, um quarto
dos experimentos de ILPF foi destruído. Apenas em uma noite,
as capivaras comeram 450 m². Se os ataques continuarem, podem
comprometer a coleta de dados. Por isso, como medida de
urgência, Maria Luiza espalhou fezes de onça pela lavoura, para
agirem como repelente. “Mas o que pode resolver de fato é um
plano de controle para toda a fazenda”, opina.
Este plano será apresentado pelos professores Sérgio Nogueira
Filho e Selene Nogueira, especialistas em comportamento
de animais selvagens pela USP. De acordo com Sérgio, a
superpopulação de capivaras é um problema de muitos
produtores por todo o país.
Entre os fatores para o aumento desses animais estão a
proibição da caça e a redução de predadores naturais.
Também contribuem as práticas de agricultura cada vez
mais avançadas. Sérgio explica que antes a população era
controlada pela sazonalidade da seca. Em época de pouco
alimento, as capivaras não se multiplicavam tanto. Hoje,
com até três ou quatro safras por ano, não falta comida nas
fazendas.
Devido ao rigor das leis ambientais, é proibido matar esses
animais. Por isso, para conservar a espécie e solucionar os
problemas da pesquisa, Sérgio sugere práticas semelhantes
às do Pantanal para o controle do jacaré. A ideia é
manter a população de capivaras num nível controlado,
retirando os filhotes excedentes para
criação em cativeiro e
comercialização da carne, do couro e da gordura.
Segundo o especialista, este mês será entregue uma proposta
à Unidade, para sugestões. Em seguida, o desafio será obter
recursos e a autorização ambiental para executar o plano.
N° 85, 15 de março de 2013
Agenda da Semana
Embrapa Pecuária Sudeste
Superpopulação de capivaras ameaça experimentos da Unidade