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Pecuária Sudeste
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Nº 86, 22 de março de 2013.
I
mprensa
Pesquisador apresenta tecnologias para couro sustentável
D
iante do avanço da China no mercado mundial de couros, investir em sustentabilidade é a alternativa para o
Brasil manter-se competitivo e conquistar os mercados exigentes. Este é o foco dos trabalhos de pesquisa em
couro na Unidade: produzir de forma cada vez mais sustentável.
A indústria do couro foi responsável por 6,86% da balança comercial brasileira em 2011 e emprega mais de 50 mil
trabalhadores. As exportações do setor cresceram de US$ 700 milhões em 2000 para US$ 2,045 bilhões em 2011,
mostrando que existe grande demanda para o produto brasileiro.
No processo de curtimento, em vez do poluente sulfato de cromo, largamente utilizado pela indústria há décadas, a
Embrapa aposta em taninos vegetais como curtentes, tais como acácia e castanheiro, além de sintéticos. São substâncias
pouco impactantes e biodegradáveis.
O sulfato de cromo foi uma revolução nos curtumes no início do século passado, por ser barato e facilmente encontrado
na natureza, além de deixar o couro bonito e macio. Porém, pelo fato de ser considerado perigoso, é poluente e deixa
resíduos sólidos após o curtimento.
Esses resíduos não podem ser queimados, pois a combustão gera uma substância cancerígena, necessitando de um
tratamento adequado antes de serem levados para aterros controlados.
A fiscalização de órgãos ambientais obrigou a indústria a encontrar alternativas à queima e ao processo de enterrar os
resíduos cromados. Hoje, eles passam por um “descurtimento”. No entanto, mesmo esse processo gera efluentes com
cromo, que precisam ser tratados.
Mercados mais exigentes
Consumidores da União Europeia (UE) têm preferido artigos de couro feitos com curtentes “ecofriendly” (ou
amigavelmente ecológicos). Montadoras alemãs têm exigido que os bancos de seus veículos sejam revestidos com couro
sem cromo. Além disso a REACH, um sistema integrado de autorização e restrição de substâncias químicas na UE,
tem impedido a entrada de manufaturados feitos com produtos químicos perigosos para a saúde humana.
“Por isso, alternativas como o uso de taninos vegetais e curtentes sintéticos são viáveis. Atualmente é mais caro curtir
a pele dessa forma, mas estamos no caminho para o futuro sustentável. Os mercados mais exigentes querem e pagam
mais por isso”, afirma o pesquisador Manuel Jacinto, responsável pelo laboratório de couros. Segundo o colega, o
Brasil tem tecnologia para produzir couro de alta qualidade sem usar o cromo.
Reuso da água
Outra opção sustentável é o
reuso da água - no laboratório,
um circuito fechado separa os
efluentes de curtimento, elimina
os poluentes, e retorna a água para
novo curtimento. Jacinto também
tem feito experimentos com água
de estação de tratamento de esgoto
(ETE), em vez da água industrial ou
retirada do subsolo, como fazem os
curtumes. Os resultados têm sido
positivos.
“Estamos antecipando as mudanças.
Tudo o que testamos aqui envolve
tecnologias que a indústria já tem
à disposição. Queremos aperfeiçoá-
las para que os curtumes brasileiros
tornem-se sustentáveis e conquistem
os mercados exigentes no exterior”,
explica o pesquisador.
Equipe da EPTV entrevistou Jacinto sobre o tema, na última quinta