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Pecuária Sudeste
Fique por dentro
Nº 88, 5 de abril de 2013.
5
N
ossos
T
alentos
F
oram quatro anos de estágio na Unidade e três
concursos prestados antes de entrar na Embrapa. Em
2010, o pesquisador Alexandre Berndt finalmente passou a
pertencer ao quadro de empregados da Embrapa Pecuária
Sudeste. Tendo já passado pela fazenda de 1998 a 2001, o
colega começou a trabalhar a todo vapor, completamente
integrado. Hoje, quase três anos depois, Alexandre é um
dos membros da rede Pecus, um grande projeto de pesquisa
liderado pela pesquisadora Patrícia Anchão.
O contato com o campo veio da infância. Criado em São
Paulo, capital, filho de um professor da USP, era comum
passar os fins de semana e as férias no sítio da família
no sul de Minas. Alexandre conta ter sido uma criança
curiosa, um “pequeno cientista”, daqueles que coletam
insetos e sapos para “investigação”. Seguindo esta vocação,
sua primeira graduação foi em biologia, na USP.
Desde o princípio, o pesquisador se envolveu no ambiente
acadêmico-científico, participando de projetos de iniciação
científica. Na primeira metade da década de 90, estudou as
abelhas indígenas sem ferrão como indicadoras de poluição.
Já caminhava para temas ligados à sustentabilidade, mas
mudou de rumo porque não via utilidade prática na época.
Justamente porque fazia questão de aplicar a teoria,
Alexandre fez mais uma faculdade, agronomia, na Esalq.
Após estágios em zootecnia, começou sua primeira
experiência na Unidade em 1998, orientado pelo
pesquisador Pedro Franklin. O jovem estagiário preparava
os tourinhos Canchim para exposições nacionais, o que
incluía dar banho e levá-los pelo cabresto para passear.
Hoje, curiosamente, a medição de metano no Pecus exige
a colocação de um cabresto no animal, acoplado à canga.
“Nunca imaginei que usaria esse conhecimento de domar
um animal com cabresto num projeto de pesquisa”.
Em 1999, ele voltou à fazenda, como estagiário
de mestrado do pesquisador Geraldo Maria
da Cruz. Desta vez, o trabalho era com
cruzamentos de tourinhos no confinamento,
um grande projeto da Fapesp com duração de
três anos. Enquanto isso, Alexandre morou na
colônia e aproximou-se dos colegas da Unidade.
No doutorado, o pesquisador se afastou da
Embrapa e foi estudar ruminantes silvestres
no Parque Nacional das Emas, em Goiás,
procurando uma ligação entre produção animal
e meio ambiente.
Buscando experiência fora do mundo
acadêmico, Alexandre se aventurou na iniciativa
privada. Durante dois anos, trabalhou como
gestor ambiental na Mitsubishi, em Catalão
(GO), trabalhando inclusive com emissão de
gases. Mas o sonho de ser pesquisador falou
mais alto, e em 2005 ele foi aprovado para o
cargo na Apta, em Andradina (SP).
Assim que chegou, o colega já sabia que queria trabalhar
com emissões de metano ruminal. “Sempre tive esse viés
ambiental, pensava que a pecuária também deveria tomar
esse rumo da sustentabilidade”, lembra. Mas havia poucas
informações no Brasil sobre as técnicas de medição.
Alexandre procurou a Unidade novamente, em busca dos
conhecimentos pioneiros do pesquisador Odo Primavesi.
“Recordo como se fosse hoje dos momentos de treinamento
no porão do prédio técnico, nós encurvados e apertados
pelo espaço. Odo tinha paixão por ensinar, foi muito
paciente”.
Os experimentos com metano continuaram quando
Alexandre foi transferido para o Instituto de Zootecnia, em
Nova Odessa. Nesse período, ele acompanhou as reuniões
que deram origem à Pecus, em 2008 e 2009.
Finalmente, no terceiro concurso prestado para a Embrapa,
veio a aprovação. Com a aposentadoria de Odo, a Unidade
precisava de um pesquisador especialista em gases de efeito
estufa. Foi a combinação perfeita.
Desde então, o pesquisador tem focado seus esforços neste
tema. Para isso, não pensou duas vezes antes de enviar
diversos e-mails a especialistas no mundo todo. Assim,
acabou se convertendo, ele mesmo, em uma das referências
na área.
Tanto que, em junho, participará como palestrante do
principal congresso internacional de gases de efeito estufa
e agropecuária, o GGAA, na Irlanda. “A Embrapa me
permitiu ser mais eficiente neste trabalho com metano,
aqui tenho condições de ampliar e explorar ao máximo os
meus conhecimentos”, resume.
Foto: Larissa Morais