Pecuária Sudeste
N° 89, 12 de abril de 2013
Agenda da Semana
Embrapa Pecuária Sudeste
A
proveitar ao máximo o alimento ingerido pelo animal,
aumentando a eficiência e reduzindo os impactos
ambientais. Este é o objetivo de um ramo recente da ciência
animal, a chamada nutrição de precisão. Por meio de ajustes
na dieta de bovinos e ovinos, é possível eliminar excessos,
economizar e poluir menos o meio ambiente, sem perder
os requisitos nutricionais necessários ao crescimento e à
produtividade dos animais.
Um dos defensores do novo conceito, o pesquisador Alexandre
Pedroso aposta na redução do uso de proteínas na dieta de
vacas em lactação. Testes feitos no sistema de produção de leite
da Unidade mostram que em muitos casos é possível diminuir
o teor de proteínas da dieta sem comprometer o desempenho
do animal.
As proteínas são os compostos mais caros na dieta animal,
assim como ocorre na alimentação humana. Portanto, utilizar
menos farelo de soja, farelo de algodão e farelo de amendoim,
para citar as fontes de proteína mais comuns no Brasil,
significa economia.
Na Unidade, Alexandre fez um teste em 2012 num rebanho
de 90 vacas em lactação, com produção média de 27 quilos
de leite por vaca/dia. No período das águas, em que as vacas
pastejam forragem de alta qualidade, foi possível diminuir a
inclusão de fontes proteicas em 62 quilos por dia, aumentando
o milho e reduzindo o farelo de soja. Isso representou uma
economia de R$ 1,32 por vaca diariamente. No período, o
dinheiro poupado totalizou R$ 24.870.
E as vantagens não são apenas econômicas. Eliminar o excesso
de proteína da dieta significa menos nitrogênio excretado
pelos animais. O nitrogênio é o principal elemento das
proteínas, além de potencialmente poluidor de águas e solos.
Experimentos semelhantes têm sido relatados por importantes
publicações científicas e técnicas nos Estados Unidos.
Na prática, para saber se seu rebanho consome mais nutrientes
do que o necessário, é preciso contar com o auxílio de um
profissional capacitado em nutrição animal, para avaliar a dieta.
Medidas simples
Eliminar o uso excessivo proteínas é apenas um dos itens
estudados pela nutrição de precisão. Outras possibilidades
são buscar a eficiência no uso de minerais e de energia, por
exemplo. Para isso, segundo Alexandre, não são necessárias
máquinas sofisticadas. "Nutrição de precisão é basicamente
ser preciso ao alimentar os animais: elevar os padrões de
qualidade, ter um controle rígido do fluxo de insumos, evitar
desperdícios, entre outras medidas simples", explica.
Redução de proteínas na dieta de bovinos diminui custos e impacto ambiental