Pecuária Sudeste
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Fique por dentro
Nº 90, 22 de abril de 2013.
Fotos: Arquivo pessoal
N
ossos
T
alentos
Embrapiano de berço
O
fácil relacionamento na Unidade não se deve apenas ao fato de Carlos Juarez Filgueiras ser mineiro e
falador. O colega foi criado na Embrapa e, por isso, desde criança está acostumado à rotina do campo e
do apoio à pesquisa.
Filho de um empregado da Embrapa Gado de Leite, Juarez nasceu e cresceu em Juiz de Fora, onde viveu até
2009, quando foi convocado para trabalhar na Unidade. Das experiências vividas na colônia da Gado de Leite,
onde a família morava, ficou o sonho que o acompanhou até a vida adulta: seguir os passos do pai e trabalhar
na Embrapa. Desejo que o colega só conseguiu realizar no terceiro concurso prestado.
Antes de chegar a São Carlos, ele fez de tudo. Até formar-se técnico em contabilidade, em 1991, Juarez
trabalhou no campo, cuidando do sítio do avô e acompanhando o tio. Formado, foi para a cidade, mas não
atuou na área contábil. "Cuidei de cachorro, entreguei mandioca, fui feirante, montei uma quitanda. O que
viesse eu topava", lembra.
Seu trabalho mais curioso apareceu por acaso, quando foi contratado por uma rede de supermercados de Juiz
de Fora. Ao ver que as lojas precisavam de gente que fizesse a decoração das gôndolas, Juarez descobriu seu
lado artístico. Durante seis anos, fez esculturas de legumes, frutas, garrafas de vinho, padeiros, entre outras.
Até vaca em tamanho real ele esculpiu, processo que levava em média uma semana.
Fazia também esculturas como trabalho extra. Para festas infantis, criou carruagens, centopeias e até o
personagem Shrek. "Aprendi sozinho observando o erro dos outros. Até perguntavam se eu tinha feito
faculdade de arte".
Mas, apesar de se divertir com a arte que fazia, o sonho de Juarez continuava presente. No concurso de 2008,
não havia vaga para Juiz de Fora. Ele se inscreveu então para São Carlos, cidade que nem conhecia. No mesmo
ano, antes de sair o resultado, o pai faleceu. "Ele já dizia que eu seria aprovado, morreu com essa certeza",
lembra.
Três anos e meio após a convocação, Juarez se sente realizado.
Desde que chegou, trabalha no sistema de leite; hoje é encarregado.
E conta que tem aprendido muito, mesmo tendo trabalhado
no campo anteriormente. "Sempre gostei de lidar com animais.
Quando colaboro num parto, me sinto feliz ajudando quem não
pode se expressar como a gente".
Sobre o jeito brincalhão, o mineiro, como é conhecido entre os
colegas, conta que sempre foi assim, transparente. Por onde passa,
faz amizades. "O pessoal de São Paulo é muito sério, preciso
brincar para descontrair e deixar o trabalho mais leve", explica.
Juarez fez esta escultura em tamanho real para exibição da seção de carnes
do supermercado