Pecuária Sudeste
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Nº 99, 24 de junho de 2013.
Pecuária Sudeste
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otícias
Pesquisadora identifica fatores parabaixaadesãoaoSISBOVemSP
C
riado em 2002, o SISBOV (Sistema Brasileiro de Identificação e
Certificação de Origem Bovina e Bubalina) é um instrumento
voluntário de rastreabilidade, que permite conhecer a trajetória
do produto de origem bovina, da fazenda até chegar à mesa do
consumidor. Além de representar uma garantia à segurança dos
alimentos, essa tecnologia é uma exigência de diversos países da
Europa para importar a carne brasileira.
Mas a certificação SISBOV não é suficiente para exportar ao
mercado europeu. A propriedade rural que adere ao SISBOV deve
fazer parte da lista TRACES (Trade Control and Expert System),
uma rede criada pela União Europeia para a saúde animal.
No entanto, a adesão ao SISBOV pelos pecuaristas de corte ainda é baixa. Em fevereiro de 2010, das 310.838
propriedades de corte, apenas 1.895 haviam feito registro de seus rebanhos no sistema - menos de 1% do total.
Em São Paulo, eram 137 fazendas no SISBOV, diante de um universo de 25.638.
Para identificar os fatores que determinam a adoção da certificação SISBOV e TRACES no estado de São Paulo,
a pesquisadora da Unidade Marcela Vinholis utilizou uma amostra de 32 propriedades certificadas e 52 não
certificadas. O trabalho foi assunto de seu doutorado, concluído este ano na UFSCar.
Os resultados sugerem que a adoção prévia de sistema intensivo de produção animal é um importante indutor
para a obtenção das certificações. Enquanto 87,5% das propriedades certificadas consultadas no estudo usam
o sistema intensivo, nas fazendas não certificadas esse índice cai para 42,3%. A intensificação, por sua vez, está
associada à utilização de instrumentos de gestão de risco.
Isso se explica porque o SISBOV exige mudanças tecnológicas. É preciso identificar individualmente o rebanho,
usar recursos de gestão e de tecnologia da informação, além de capacitar a mão de obra. "Tudo isso é mais
complicado para o pequeno pecuarista, pouco tecnificado e que não intensifica a produção", explica Marcela.
Outros fatores de influência
Outras características que diferenciam as propriedades certificadas das não certificadas são: tamanho do
rebanho e da propriedade, nível de escolaridade, participação do pecuarista em associação ligada à pecuária,
envolvimento em grupos não formais de pecuaristas, acesso à informação especializada via internet, experiência
prévia com outras certificações e hábito de viagens a negócio ao exterior.
Quanto maior o rebanho e o tamanho da fazenda, maior a adesão à certificação. As propriedades certificadas
possuíam em média 9.260 cabeças e 4.300 hectares, contra 971 cabeças e 1.065 hectares das não certificadas.
Quando se trata de redes de relacionamento, 37,5%
dos certificados participam em associações ligadas à
pecuária, enquanto apenas 5,8% dos não certificados
têm essa ligação. Em relação ao conhecimento, 53,1%
dos pecuaristas certificados têm acesso a informação
paga via internet, contra 19,2% dos não certificados.
De acordo com Marcela, a ideia do SISBOV é boa e pode
abrir muitas portas ao pecuarista brasileiro nos mercados
mais exigentes. Porém, para aumentar a adesão, é preciso
capacitar a mão de obra e divulgar mais o SISBOV e
seu impacto para a pecuária nacional. No âmbito das
políticas públicas, a pesquisadora sugere fomentar
o associativismo na pecuária, bem como a adoção de
instrumentos de gestão de risco, além de reduzir os
custos de implantação e manutenção do sistema.
Foto: Waldomiro Barioni Junior