Fique por dentro
Nº 110, 9 de setembro de 2013.
4
Notícias
U
ma técnica utilizada para a produção comercial
de couro, principalmente de bovinos, foi
aproveitada pelo Museu de Ciências Naturais
PUC Minas, em Belo Horizonte. A parceria inusitada
aproximou a pesquisa desenvolvida na Unidade e
as atividades de preservação de animais silvestres e
divulgação da ciência.
Em agosto, essas trajetórias distintas foram unidas por
um episódio curioso: o museu precisava "preparar" um
animal para exposição. O gorila Idi Amin morreu em
março do ano passado no zoológico de Belo Horizonte,
onde vivia há 37 anos. Seu corpo foi doado ao museu da
PUC. Uma das principais atrações do parque, era o único
gorila em cativeiro na América do Sul, além de pertencer
a uma espécie em extinção.
A equipe do museu passou a buscar uma técnica mais
elaborada de taxidermia (montagem de animais para
exibição ou estudo), para que Idi Amin fosse exposto ao
público com a melhor qualidade possível. De acordo
com o biólogo Leandro de Oliveira Marques, o grupo já
pensava em substituir a técnica tradicional por algo mais
avançado. "Quando recebemos o Idi Amin, um
ícone na cidade, vimos a oportunidade de inovar",
explica.
A principal etapa da preparação de um animal
para exposição é o curtimento da pele, para que
se transforme em couro. Por isso, os taxidermistas
do museu fizeram uma pesquisa para encontrar
uma técnica que deixasse a pele macia, durável e
maleável para se adaptar ao manequim. Foi quando
souberam dos trabalhos com couro do pesquisador
Manuel Antônio Chagas Jacinto, da Embrapa
Pecuária Sudeste. A técnica antiga, baseada no
curtimento com compostos à base de alumínio,
deixava o couro quebradiço com o passar dos anos.
O treinamento foi ministrado na Embrapa, durante
três dias, no início de agosto. O museu de BH
aproveitou e trouxe a pele de Idi Amin, que já
passou pelo curtimento. Agora, de volta à capital
mineira, Leandro trabalha na redução da espessura
do couro, para iniciar a montagem no manequim.
Tarefa que levará vários dias, uma vez que o gorila
possuía 1,80 m de altura e pesava mais de 200
quilos.
Em seguida, o couro será aplicado em um
manequim de poliuretano, como uma roupa a ser
vestida. Começa então a etapa de acertar todos os
detalhes, como preencher os lábios, as orelhas, o
focinho, entre outras partes que darão "vida" novamente
a Idi Amin. O trabalho continua com a produção de
cenário e iluminação.
Para o biólogo, o encontro com a Embrapa foi uma grata
surpresa. "Desconhecemos qualquer grupo de taxidermia
no Brasil que utilize essa técnica inovadora. Para nós,
tudo o que aprendemos foi 100% novo", afirma. Os
conhecimentos adquiridos devem contribuir para que o
País avance nessa área, em que os Estados Unidos são
referência.
O Museu de Ciências Naturais está fechado devido a
um incêndio ocorrido no início do ano. A reabertura,
prevista para os próximos meses, terá como principal
atração a exibição de Idi Amin. O gorila será exposto
num cenário tridimensional, reproduzindo as savanas
africanas de onde ele veio.
A parceria mostra a importância de combinar diferentes
conhecimentos em benefício da ciência e da preservação
da história natural.
M
useu prepara gorila para exposição com técnicas de curtimento da
U
nidade