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Pecuária Sudeste
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Nº 58, 03 de agosto de 2012.
N
otícias
Fiscal do Mapa apresenta dados da pecuária brasileira
A
semana que passou foi rica em discussões para o processo de revisão do Plano Diretor da Unidade (PDU).
Na segunda-feira (30), a médica veterinária Valéria Stacchini Ferreira Homem utilizou sua experiência
como fiscal federal agropecuário em São Paulo e ministrou uma palestra com vários dados para análise do
ambiente externo na pecuária.
Valéria começou apresentando o ranking mundial de rebanho comercial, divulgado pela FAO. O Brasil aparece
na liderança com 207 milhões de cabeças, seguido da Índia, com 180 milhões, e da China, com 117,7 milhões.
Essa liderança se explica pela produção crescente da pecuária brasileira. Para a palestrante, a produtividade
do país é satisfatória, apesar de gargalos como ausência de extensão rural, problemas de educação sanitária e
escoamento, etc.
Em seguida, a fiscal mostrou mapas com o quadro da febre aftosa no país. Houve uma evolução da classificação
do status sanitário, com mais áreas livres de aftosa com vacinação. No total, 85% do rebanho brasileiro está em
zonas livres, com ou sem vacinação. Outra vantagem competitiva é o fato de o país ser livre da doença da vaca
louca.
Porém, ainda que haja bons indícios, o Brasil ainda não conseguiu provar ao mundo que possui carne 100%
sem riscos. “Por isso, apesar de sermos líderes em volume de exportação, perdemos em valor. Proporcionalmente
vendemos barato a nossa carne”, afirmou Valéria.
Mas as perspectivas para o futuro são boas. De acordo
com as projeções para o agronegócio do Mapa, a produção
de carne bovina deve aumentar 32,3% até 2022, com
crescimento de 20% nas exportações. “Estamos preparados
para ser o berço reprodutor do mundo nestas dimensões?”,
questionou Valéria.
Além das questões econômicas e produtivas, para analisar
o ambiente externo da pecuária é preciso considerar
a política e a sustentabilidade. Daí a importância das
políticas sensatas e reformas institucionais para o setor,
e de reforço na governança para garantir uma produção
sustentável.
Finalmente, Valéria falou dos desafios para a pecuária,
destacando a contradição entre uma demanda global
por carne que deve crescer 80% até 2050, e a escassez de
recursos (petróleo, terra, água, energia etc.) e os riscos
(mudanças climáticas).
Para resolver este problema, o setor deve desde já melhorar
a eficiência no uso dos recursos naturais por meio de:
- redução do déficit de eficiência (recuperar o atraso na
adoção das tecnologias);
- restabelecimento do valor das pastagens (degradadas);
- adoção de resíduos zero (por exemplo, devolvendo
carbono ao solo e recuperando nutrientes e energia a
partir dos dejetos dos animais).
Foto: Larissa Morais