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Pecuária Sudeste
N° 73, 4 de dezembro de 2012
Agenda da Semana
Embrapa Pecuária Sudeste
O
impacto ambiental da produção
animal foi o tema da reunião dos
Núcleos Temáticos realizada na segunda-
feira (26). O pesquisador Julio Palhares
abordou o assunto ligado à meta ampla
12 do PDU da Unidade: “Disponibilizar
práticas ou processos agrícolas e
agroindustriais para redução de impactos
ambientais”.
Julio iniciou a apresentação mostrando a
definição de impacto ambiental, segundo
resolução do Conselho Nacional do Meio
Ambiente (Conama). De acordo com a
norma, impacto ambiental é qualquer
alteração das propriedades físicas, químicas
e biológicas do meio ambiente, causada
por qualquer forma de matéria ou energia
resultante das atividades humanas.
O pesquisador opinou que a Embrapa não
está apta a fazer uma avaliação de
impacto ambiental de forma integral. Isso
porque o Conama prevê uma análise não só
ambiental, mas também social e econômica.
Segundo Julio, falta à Embrapa este olhar
vinculado às ciências humanas, o que só
poderia ser resolvido por meio de parcerias.
Em seguida, o colega polemizou ao
classificar o termo “sustentabilidade” como
um dogma, ou seja, algo que não se pode
contestar. Para Julio, nada é sustentável no
planeta hoje, principalmente a agropecuária
brasileira, devido às desigualdades sociais
do país. “Nossa missão é trabalhar para um
dia sermos sustentáveis, algo que nossos
filhos não verão, mas quem sabe nossos
netos”, disse.
Ele fundamentou a afirmação recuperando
os preceitos para a sustentabilidade
estabelecidos em 1987 pela Comissão
Mundial sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento. Estas condições para
o planeta ser sustentável estão longe
da realidade. Por exemplo, ter um
sistema social que resolva as tensões do
desenvolvimento desequilibrado.
Entretanto, ainda que a sustentabilidade
plena esteja distante, é possível fazer
muito por ela. Julio afirmou que a
responsabilidade ambiental deve ser de
toda a cadeia produtiva, e não apenas do
agricultor ou pecuarista. Os consumidores
também devem ter esta postura. Para isso,
o pesquisador da Embrapa deve ter como
uma de suas missões levar à sociedade o
conhecimento já existente para a produção
e o consumo sustentáveis.
Após considerações gerais sobre o tema, o
pesquisador falou do impacto ambiental
da pecuária. Segundo Julio, apesar de
concentrar 33,1% do PIB nacional, São
Paulo ainda possui péssimas práticas
ambientais na produção animal, por
exemplo, jogar dejetos diretamente nos
rios. Isso ocorre em grande medida
porque o produtor não consegue fazer o
manejo ambiental, altamente complexo,
sozinho. Ele precisa ser assistido por um
profissional.
Outro aspecto abordado foi a
intensificação da produção. Se esta prática
tem o mérito de evitar a derrubada de
florestas no bioma Amazônia para abrir
áreas de pasto, pode trazer maior pressão
ambiental devido ao maior número
de Unidades Animais por hectare. Se a
intensificação for feita sem planejamento,
terá riscos ambientais altos.
Para Julio, o sistema de produção
com maior facilidade de ser manejado
ambientalmente é o integrado, porque
a parceria com a agricultura permite
aproveitar os nutrientes dos resíduos dos
animais na propriedade.
Como sugestões para que a Unidade faça
uma ampla avaliação do impacto ambiental
de suas atividades, o pesquisador listou:
Fomentar, rotineiramente, a cultura
de pesquisas ambientais;
Ter uma equipe que atue na área
ambiental;
Ter um laboratório de análises
ambientais;
Ter parcerias de pesquisa e
transferência com a agroindústria e as
instituições setoriais;
Ter parcerias de pesquisa com outras
UDs e instituições de pesquisa;
Participar de programas de pós-
graduação tendo como contribuição o
estudo da relação produção animal e
ambiente;
Fomentar o
MAPA e o MMA,
bem como órgãos
estaduais, nas
decisões
ambientais.
O longo caminho para a sustentabilidade