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Pecuária Sudeste
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Fique por dentro
Nº 94, 20 de maio de 2013.
N
ossos
T
alentos
De Sobral a São Carlos, 26 anos de Embrapa
A
s reportagens do Globo Rural encantavam o garoto que vivia no sítio em Bragança Paulista, onde o pai
produzia leite. Muito cedo o pesquisador Rui Machado já sabia que queria ser médico veterinário e, de
preferência, trabalhar na Embrapa. "Foi o meu principal objetivo profissional, que conquistei com muito
esforço. A cada dia me sinto mais orgulhoso de ter participado desta transformação que o campo sofreu, da
minha infância até hoje".
Após terminar a faculdade na Universidade Federal de Uberlândia (UFU), em 1986, trabalhou na iniciativa
privada em Mato Grosso do Sul. Enquanto isso, prestou vários concursos para instituições públicas de pesquisa,
extensão e assistência técnica. Escolheu a Embrapa.
De 1987 a 1996, foi pesquisador na Embrapa Caprinos e Ovinos, em Sobral (CE). Lá Rui trabalhou com
biotecnologia da reprodução, especialmente conservação de sêmen e controle da ovulação. O colega participou
da formação do laboratório de transferência de embriões e do banco de germoplasma de caprinos e ovinos
nativos (hoje sob a guarda da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia).
O pesquisador lembra que, desde a época em que chegou, a Unidade já eram muito bem estruturada, com
laboratórios de última geração. Alémdisso, a simpatia dos nordestinos encantouopaulista. "Gostei imediatamente,
foi paixão à primeira vista. O ambiente de trabalho era ótimo, tive vários trabalhos reconhecidos", lembra. Rui
também ministrou aulas na Universidade Estadual do Ceará, nas disciplinas de fisiologia animal e metodologia
do trabalho científico.
Dez anos depois, veio o convite da Embrapa Pecuária Sudeste para formar um grupo em sua área de atuação.
Rui também precisava ficar mais perto da família, porque o irmão havia falecido. Quando chegou, a chefia
havia mudado, e ele ocupou durante dois anos a supervisão do setor de difusão e transferência de tecnologia.
Nesse período foi criado o projeto Saúde Brasil (milhares de crianças e adolescentes visitaram a Unidade até
meados dos anos 2000), e foram feitas parcerias com a Tortuga e o Sebrae.
Quando deixou a supervisão, Rui fez o doutorado
em reprodução animal, na USP. Desde que voltou
à Unidade, em 2005, trabalhou com fisiologia do
reconhecimento materno da prenhez em bovinos
e com métodos de redução da mortalidade
embrionária. "Desenvolvemos práticas e processos
com forte impacto econômico, principalmente
para os rebanhos de elite", afirma.
Hoje, o pesquisador está concentrado em um
novo desafio. De volta às pesquisas com ovinos,
aposta alto no projeto de cruzamentos iniciado
este ano, com financiamento da Fapesp. O
objetivo é encontrar práticas de manejo para
reduzir o custo de produção dos ovinos, que ainda
é alto. E também obter um tipo racial adaptado
às condições do Sudeste, para que não seja mais
necessário importar genética de outros Estados
ou do exterior.
Ao mesmo tempo, nas horas vagas, Rui se dedica
a uma nova área de conhecimento. Cursando o
sétimo período de direito, ele vive em meio aos
livros de humanidades. "Sempre tive simpatia
pela área, sentia que faltava uma base em
humanas", diz.